Análise de Desmatamento e Produção Agrícola no Brasil
Período 2015–2021
Author
Jennifer Luz Lopes
1 Introdução
Este é um projeto de ciência de dados aplicado à análise da relação entre produção agrícola e desmatamento no Brasil (2015–2021), integrando dados do IBGE e INPE via BigQuery. Atuação em engenharia de dados, feature engineering temporal, análise estatística, modelagem preditiva com Random Forest, avaliação de modelos, análise espacial com sf/geobr, visualizações estáticas e interativas em R, com foco em sustentabilidade, eficiência produtiva e apoio à decisão.
1.1 Objetivos
Quantificar a relação entre produção agrícola (soja, milho, arroz) e desmatamento
Identificar municípios com maior risco ambiental
Desenvolver modelo preditivo para desmatamento
Mapear espacialmente padrões de eficiência produtiva
1.2 Metodologia
A análise integrou duas bases de dados principais através do BigQuery:
PAM/IBGE: Produção agrícola municipal de culturas temporárias
PRODES/INPE: Monitoramento de desmatamento por município e bioma
Foi desenvolvido um indicador de risco (risco_desmat_ton) que mede hectares de desmatamento por tonelada produzida, permitindo classificar municípios em três categorias: Baixo, Médio e Alto risco.
Figure 1: Evolução do Desmatamento e Produção Agrícola (2015-2021)
3.1 Interpretação
A série temporal revela que, embora a produção agrícola tenha crescido consistentemente no período, o desmatamento apresenta maior volatilidade. Destaca-se uma redução no desmatamento entre 2019-2020, seguida de nova elevação em 2021.
4 Modelagem preditiva
4.1 Modelo Random Forest
Foi desenvolvido um modelo de Random Forest para predizer o desmatamento municipal com base em variáveis de produção agrícola, uso do solo e histórico de desmatamento.
As variáveis mais importantes para predição do desmatamento são:
Desmatamento defasado (lag1 e lag2): O histórico recente é o melhor preditor
Produção total: Forte associação com expansão de área
Pressão sobre vegetação: Razão entre área cultivada e vegetação remanescente
Área colhida: Indicador direto de expansão agrícola
Figure 2: Relação entre Produção Agrícola e Desmatamento por Classe de Risco
O gráfico de dispersão revela:
Heterogeneidade: Municípios com produção similar apresentam níveis muito distintos de desmatamento
Clusters de risco: Municípios de Alto Risco (vermelho) tendem a ter maior desmatamento mesmo com produção moderada
Oportunidades: Existem municípios de alta produção com baixo desmatamento relativo
6 Análise Espacial
6.1 Mapas Estáticos
6.1.1 Mapa 1 – Municípios com maior desmatamento
Identifica os municípios críticos que concentram o maior desmatamento absoluto, classificados por categoria de risco.
Este mapa evidencia os municípios que concentram o maior volume absoluto de desmatamento em 2021, permitindo identificar territórios críticos do ponto de vista ambiental.
6.1.2 Mapa 2 – Intensidade de desmatamento
Mapa coroplético mostrando a distribuição espacial da intensidade de desmatamento nos municípios acima do percentil 70.
A intensidade de desmatamento revela que parte significativa do impacto ambiental está concentrada em um subconjunto de municípios, reforçando a importância de políticas focalizadas.
6.1.3 Mapa 3 – Eficiência produtiva
Classifica municípios em quatro categorias de eficiência com base na relação desmatamento/produção, destacando os maiores produtores em cada categoria.
O mapa de eficiência produtiva demonstra que é possível alcançar elevados níveis de produção agrícola com menor impacto ambiental, evidenciando oportunidades de disseminação de boas práticas.
6.1.4 Mapa 4 – Produção e desmatamento por estado
Visão agregada estadual combinando intensidade de desmatamento (cor dos polígonos) com volume de produção (tamanho dos círculos).
A análise estadual permite visualizar padrões macroregionais, combinando intensidade de desmatamento e escala produtiva para apoiar decisões em nível estratégico.
6.2 Mapas: Versões interativas
As versões interativas em HTML permitem exploração detalhada e podem ser abertas via Browse:
outputs/maps/mapa_1_top_risco.html
outputs/maps/mapa_2_intensidade.html
outputs/maps/mapa_3_eficiencia.html
outputs/maps/mapa_4_estados.html
7 Considerações finais
Heterogeneidade Regional: A relação entre produção agrícola e desmatamento varia substancialmente entre municípios, indicando que fatores locais (governança, fiscalização, tecnologia) são determinantes
Eficiência é Possível: Existem municípios de alta produção com baixo desmatamento relativo, demonstrando que produção e conservação não são necessariamente incompatíveis
Histórico Importa: O desmatamento passado é o melhor preditor do desmatamento futuro, sugerindo necessidade de intervenção em municípios com trajetória crítica
Padrões Espaciais: O desmatamento se concentra em regiões específicas, permitindo priorização geográfica de políticas públicas
7.1 Recomendações
Políticas Diferenciadas: Municípios de Alto Risco necessitam intervenções mais intensivas
Disseminação de Boas Práticas: Estudar e replicar estratégias de municípios eficientes
Monitoramento Contínuo: Acompanhar municípios com histórico crítico e sinais de expansão
Incentivos à Intensificação: Promover aumento de produtividade em áreas já consolidadas
7.2 Limitações e próximos passos
Limitações:
Análise limitada ao período 2015-2021
Não considera outros fatores como pecuária, mineração e infraestrutura
Agregação municipal pode ocultar heterogeneidade interna
Próximos passos:
Incorporar dados de crédito rural e fiscalização ambiental
Análise de trajetórias individuais de municípios
Modelagem com variáveis climáticas e econômicas
Desenvolvimento de sistema de alerta precoce
8 Referências
IBGE: Produção Agrícola Municipal (PAM)
INPE: Programa de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (PRODES)
Base dos Dados: Plataforma de integração de dados públicos brasileiros
Código completo: Disponível no script R: risco_desmatamento.R